Terremoto de 7,1 graus mata mais de cem no México

Número de vítimas ainda é incerto. Foto: Yuri Cortez | AFP

Um terremoto de 7,1 graus sacudiu o México nesta terça-feira, 19, deixando ao menos 138 mortos no centro do país, segundo os primeiros informes das autoridades locais, enquanto continua o resgate em vários edifícios que desabaram, exatamente no 32º aniversário do tremor que destruiu a capital.

“Um total de 138 pessoas lamentavelmente perderam a vida: 36 na Cidade do México, 29 em Puebla, 64 em Morelos e nove no Estado do México”, disse à rede Televisa Luis Felipe Puente, diretor-geral da Defesa  Civil.

Os trabalhos de resgate continuam em vários edifícios que desmoronaram, onde se teme que haja dezenas de pessoas presas nos escombros.

Segundo a Prefeitura da Cidade do México, são pelo menos 49 os prédios que desabaram nas zonas do centro e do sul da capital.

O sismo ocorreu no dia em que se completam 32 anos do terremoto de 8,1 graus que deixou mais de 10.000 mortos em 1985 e reduziu a ruínas amplos setores da capital.

“Não é possível que tenha sido também em 19 de setembro!” – disse à AFP entre soluços Amalia Sánchez, secretária de 45 anos.

Mapa mostra onde ocorreu o terremoto. Foto: Reprodução | Twitter

O presidente Enrique Peña Nieto, que estava fora da Cidade do México, voltou à capital para coordenar os trabalhos de resgate.

“Estamos retornando neste momento (…) Veem-se imagens de desabamentos, de vários prédios colapsados (…) Tememos uma emergência na Cidade do México”, disse o presidente pouco antes de aterrissar em um aeroporto militar da capital.

O aeroporto internacional da Cidade do México suspendeu as operações durante três horas.

O sismo desta terça-feira ocorreu às 13h14 locais (15h14 de Brasília). O epicentro localizou-se entre os estados de Puebla e Morelos, perto da capital.

De Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, o presidente americano, Donald Trump, expressou apoio ao vizinho do sul, em cuja fronteira prometeu construir um muro separando os dois países, uma de suas mais controversas promessas de campanha.

“Que Deus abençoe o povo do México. Estamos com vocês e estaremos lá para ajudá-los”, escreveu no Twitter Trump, que mantém péssimas relações com o México e foi muito criticado por demorar dias em transmitir suas condolências após o terremoto no sul do país, que deixou quase uma centena de mortos no início do mês.

O sismo desta terça-feira ocorreu às 13h14 locais (15h14 de Brasília). O Instituto Sismológico do México havia estimado inicialmente o sismo em 6,8 para depois revê-lo a 7,1, teve seu epicentro localizado a 55 km da cidade de Puebla, perto da capital.

O Centro Geológico dos Estados Unidos (US Geological Survey) também estimou a magnitude do tremor em 7,1.

Desabamento

Na Cidade do México, na esquina da Alvaro Obregón e Medellín uma clínica de medicina alternativa de cinco andares desabou quase por completo.

Três feridos foram resgatados entre os escombros, enquanto voluntários procuravam mais pessoas. “Tem gente presa!”, gritava uma mulher.

No bairro Roma, uma escola desmoronou, esmagando pelo menos dois carros.

“Chegamos ao colégio e todo mundo [estava] chorando, todo mundo [ficou] desesperado e as crianças [ficaram] agarradas a uma corda”, contou à AFP Jorge López, de 49 anos, que estava com os filhos de 6 e 3 anos.

O aeroporto da Cidade do México suspendeu as operações, informaram as autoridades em sua conta no Twitter.

Enquanto isso, funcionários da Defesa Civil advertiam a população para o risco de vazamento de gás.

“Não fumem! Há vazamentos de gás!”, gritavam os socorristas, enquanto corriam pelas ruas na região de Roma Norte.

“Estou consternada, não consigo conter o choro, é o mesmo pesadelo de 1985”, disse à AFP, entre lágrimas, Georgina Sánchez, de 52 anos, chorando em uma praça da Cidade do México.

Na praça Cibeles, crianças com crise de pânico foram evacuadas da escola, enquanto os pais, angustiados, as buscavam em meio à multidão, constatou um jornalista da AFP.

“Estava caminhando pela (rua) Colima e as janelas começaram a se mexer. Vi as pessoas correndo, começaram a gritar. Ficou muito feio. Não queria me aproximar de nenhuma árvore. Tive que me jogar no chão”, contou Leiza Visaj Herrera, de 27 anos.

“Foi bastante forte. Os edifícios começaram a se mexer. As pessoas estão muito nervosas. Vi uma senhora que desmaiou”, contou Alfredo Aguilar, de 43 anos.

Em 7 de setembro passado, um terremoto de magnitude 8,1, o mais forte em um século no México, deixou 96 mortos e mais de 200 feridos no sul do país, especialmente nos estados de Oaxaca e Chiapas.

Em 19 de setembro de 1985, outro terremoto matou mais de 10.000 pessoas na Cidade do México.

Na manhã desta terça-feira, as autoridades tinham feito uma simulação de sismo.

A Cidade do México conta com um sistema de alertas que se ativa um minuto antes do sismo, mas jornalistas da AFP disseram que desta vez o alerta só foi ouvido no mesmo momento em que se sentiu o tremor.

Por Agência AFP

Partilhar: