Povoado de Araçatuba, Presidente Dutra-Bahia sob o olhar do fotojornalista Juliano D´Carmo

Texto e fotos: Juliano D´Carmo

Fotografar Araçatuba é um grande desafio, pois é lá que encontro e me reencontro com minhas memórias e a imagem indelével de meu avô, Pedro Firmo do Carmo (In memorian), sentado embaixo da árvore e fumando seu cigarro, ou deitado com seu pigarrear, querendo silêncio, algo que a geração atual jamais vai entender, porque chama as gerações mais antigas de “você” e não de “senhor” ou “senhora”. A plasticidade do cenário da Caatinga é revelada nas casas abandonadas por seus moradores, na barragem construída sob a gestão de Eurico Barreto, e que hoje serve para a dessedentação de animais e não para o banho turístico como anteriormente. As águas que correm de São Gabriel e vão parar na barragem do povoado, já matou muita gente, assim como o Rio São Francisco, agora, é reduto das borboletas amarelas, que fizeram um balé diante de meus olhos. Segurar a emoção é um desafio quando os olhos lacrimejam de saudade, não só de quem já se partiu, mas de algo ou alguém que ainda está presente entre nós e que guarda esta palavra sem tradução, saudade. Esta série de fotografias, dedico a Edna Silva do Carmo, Vera Lúcia do Carmo Sousa e Pedrina Silva do Carmo.

 

 

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