Ética e Moral: Tirando o Véu, Mostrando a Cara

A imagem pode conter: Irailde Gonçalves de Lima, sentado e sapatos

Por Irailde Gonçalves de Lima*

A ética e a moral tem sido o conteúdo de muitas discussões no contexto atual, em cada lugar do país, educadores, políticos e cidadãos discutem sobre a existência e/ou a ausência de uma ética e da moral nas atitudes das pessoas sejam elas públicas ou não, basta um acontecimento chocante tipo violência de policiais, negligência médica e já começam tergiversações. É por isso que resolvi fazer algumas indagações com vista a elucidar alguns pontos dessa temática.

Quem de vocês já se deparou com relatos de pessoas sem trabalho, de crianças sem teto, de mulheres violentadas e não ficou indignado? Quem de vocês não experimentou um sentimento de arrependimento, de uma culpa sem desculpas, de ter cometido um erro sem perdão? Por outro lado, quem de vocês não experimentou um sentimento de arrependimento, de uma culpa sem desculpas, de ter cometido um erro sem perdão? Por outro lado, quem de vocês não se regozijou na bondade do outro? Na coragem dos que lutam por Justiça? Ou orgulhoso por sucessos dos chamados “deserdados sociais”?

Quando experimentamos tais sentimentos, podem ter certeza: nosso senso ético foi acionado e nossos valores éticos emergem do mais íntimo do nosso ser, vivemos em  busca de um fim: afastar a dor e cultivar a felicidade, mas essa finalidade extrapola os limites da subjetividade e se instaura no convívio social.

Mas afinal qual é a gênese de todos esses sentimentos? Viajando no tempo, iremos encontrar na antiguidade clássica um filósofo Sócrates em busca da Justiça, do bem e do bom, visando um duplo fim: saber o que é e como vivenciar esses valores para conquistar o bem e a virtude.

A ética e a moral são tão arraigados na sociedade, cristalizados nos costumes que parecem anteriores ao processo civilizatório, isto é, uma determinação dos deuses e fruto de seus desejos, paixões imbricados no tecido social.

Os bons costumes ou costumes é termo grego: Ethos, traduzido como ética e escrito com a vogal “e”, longa, significa costume, e, com a vogal “e” (episilon) breve, significa caráter, boa índole, e, é, também, um termo latino: Mores que quer dizer Moral. Portanto, ética e moral se referem aos costumes assumidos por livre escolha de acordo com as disposições físicas e psíquicas de cada indivíduo.

Assim, a ética e a moral se manifestam no campo da prática, mas se diferem da técnica quando nesta, ação e consequência se separam, (a mercadoria resulta da ação, mas não é a ação), enquanto que na Práxis Ética nossa ação é a materialidade dos princípios éticos que optamos como correto ou incorreto, bom ou ruim, enfim, os valores (justiça, honradez, espírito de sacrifício, integridade, generosidade) despertam os sentimentos  (admiração, vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida, medo) e provocam ações que trazem consequências para quem as pratica (livre escolha) e para os outros.

Elas estão no tecido do convívio social, mas não transcende a ele, ou seja, podemos aderir, modificar ou não os costumes instituídos numa sociedade, mas qualquer que seja nossa escolha nós somos responsáveis por ela subjetiva e intersubjetivamente. Podemos falar ou calar diante da violência doméstica e nas ruas, da opressão, da exploração, da fome, da corrupção, dos abusos do poder, mas não nos eximir da culpa da nossa responsabilidade da realização do “ser” humano de cada um de nós, e , para concluir vale citar o filósofo francês Jean-Paul Sartre: “o importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele”.

*Irailde Gonçalves de Lima é professora de Filosofia da Educação e Epistemologia do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia.

Edição: Juliano Ferreira/JF Publicações Científicas

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