Conheça os nomes já confirmados para a equipe ministerial de Bolsonaro

Por Agência Brasil  Brasília

Veja quem já foi confirmado para a equipe ministerial do presidente eleito, Jair Bolsonaro:

Casa Civil

Deputado federal pelo DEM do Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni assumirá a Casa Civil. Por enquanto, atua como ministro extraordinário da transição.

O ministro extraordinário do governo de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, fala à imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.
Onyx Lorenzoni – Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

Gabinete de Segurança Institucional

Oficial da reserva, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira assumirá o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). É chamado de “conselheiro” pelo presidente eleito.

O general da reserva Augusto Heleno, indicado para ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), fala à imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde funciona o gabinete de transição de governo.
General Augusto Heleno – Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Ministério da Economia

O economista Paulo Guedes, que acompanhou Bolsonaro durante a campanha, ocupará o Ministério da Economia (unindo Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio).

O economista Paulo Guedes, que assumirá, no governo de Jair Bolsonaro (PSL), o recém-criado Ministério da Economia, se reúne com o atual ministro da Fazenda, Eduardo Guardia
Paulo Guedes – Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo/Agência Brasil

Ministério da Justiça e da Segurança Pública

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, assumirá o Ministério da Justiça (fusão com a Secretaria de Segurança Pública e Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf).

O futuro ministro da Justiça, juiz federal Sérgio Moro, durante coletiva de imprensa após reunião com o atual ministro da pasta, Torquato Jardim.
Sergio Moro – Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Ministério da Ciência e Tecnologia

Astronauta e próximo ao Bolsonaro, Marcos Pontes ficará à frente do Ministério de Ciência e Tecnologia, que deverá agregar também a área do ensino superior.

 

O astronauta Marcos Pontes, futuro ministro de Ciência e Tecnologia, chega ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, para reunião no gabinete do governo de transição.
Marcos Pontes – José Cruz/Agência Brasil

Ministério da Agricultura

Deputada federal pelo DEM do Mato Grosso do Sul, a engenheira agrônoma e empresária do agronegócios Tereza Cristina será a futura ministra da Agricultura.

A futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina fala aos jornalistas depois de reunião com a equipe de transição no CCBB.
Tereza Cristina – Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Ministério da Defesa

O general Fernando Azevedo e Silva é militar da reserva e atuou como assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

general Fernando Azevedo e Silva
General Fernando Azevedo e Silva – José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Ministério das Relações Exteriores

Diplomata há 29 anos, Ernesto Fraga Araújo, é o atual diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Formado em Letras, será o próximo chanceler do país.

O futuro ministro das Relações Exteriores, embaixador Ernesto Fraga Araújo, concede entrevista à imprensa no CCBB.
Embaixador Ernesto Fraga Araújo – Valter Campanato/Agência Brasil

Banco Central

O economista Roberto Campos Neto, de 49 anos, vai comandar o Banco Central. Executivo do banco Santander e neto do ex-ministro Roberto Campos, Campos Neto é formado em economia, com especialização em finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

O economista Roberto Campos Neto (Assessoria de Imprensa da transição/Divulgação)
Roberto Campos Neto – Assessoria de Imprensa do governo de transição/Direitos reservados

Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União

Servidor de carreira e ex-capitão do Exército, Wagner de Campos Rosário vai continuar no cargo de ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), que ocupa desde maio de 2017.

O ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, durante o lançamento do novo Portal da Transparência do governo federal.
Wagner Rosário- Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministério da Saúde

Ortopedista pediátrico, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), de 53 anos, vai assumir o Ministério da Saúde a partir de janeiro de 2019. Ele não se candidatou à reeleição e seu mandato termina no final do ano.

Brasília - Deputado Mandetta (DEM/MS)fala durante discussão do processo de impeachment de Dilma, no plenário da Câmara (Valter Campanato/Agência Brasil)
Luiz Henrique Mandetta Valter Campanato/Agência Brasil

Advocacia-Geral da União

Advogado da União desde 2000 e com pós-graduação em Governança Global, André Luiz de Almeida Mendonça vai assumir a Advocacia-Geral da União.

André Luiz, AGU
André Luiz de Almeida Mendonça – Divulgação/PGU

Secretaria-Geral da Presidência da República

O advogado Gustavo Bebianno será o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Presidente do PSL durante a campanha eleitoral, Bebianno adiantou que a principal atividade de sua pasta será a modernização e a desburocratização do Estado.

Gustavo Bebianno foi confirmado como futuro ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Gustavo Bebianno foi confirmado como futuro ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República – José Cruz/Agência Brasil

 

Ministério da Educação

Filósofo é professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, Ricardo Vélez Rodríguez assumirá o Ministério da Educação.

Ricardo Vélez Rodríguez é indicado para o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro
Ricardo Vélez Rodríguez é indicado para o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro – Ricardo Vélez Rodríguez/Redes Sociais

Secretaria de Governo

O general-de-divisão será novo secretário de governo. O órgão tem status de ministério. A principal missão de Cruz será a articulação com o Congresso Nacional e com partidos políticos e o diálogo com estados e municípios.

 

Brasília - O secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz, durante reunião com secretários de Segurança Pública dos estados (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O general Carlos Alberto Santos Cruz foi escolhido para assumir a Secretaria de Governo – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministério da Infraestrutura

Tarcísio Gomes de Freitas irá assumir o Ministério da Infraestrutura, que vai abranger os setores de transporte aéreo, terrestre e aquaviário. Ele já foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura Transporte (Dnit).

 O novo ministro da Infraestrutura Tarcisio Gomes de Freitas, fala à imprensa, no CCBB.
Tarcísio Gomes de Freitas será o novo ministro da Infraestrutura – Wilson Dias/Agência Brasil

Ministério do Desenvolvimento Regional

Atual secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto vai assumir o Ministério do Desenvolvimento Regional. A pasta deve agregar as atuais atribuições dos ministérios da Integração Nacional e das Cidades, além de assumir programas importantes como Minha Casa Minha Vida, de habitação, e ações relacionadas a obras contra a seca e infraestrutura hídrica.

Secretário executivo do Ministério da Integração Nacional (MI), Gustavo Canuto, participa da abertura do seminário Programa Interáguas – Contextualização e Avaliação.
Secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Gustavo Canuto, vai assumir novo ministério – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministério da Cidadania

Ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Temer, Osmar Terra vai assumir o Ministério da Cidadania, que vai fundir as atribuições dos ministérios do Esporte, da Cultura, além da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), vinculada atualmente ao Ministério da Justiça. A pasta será responsável por programas como o Bolsa Família.

O deputado Osmar Terra foi o relatar da comissão mista que aprovou a Medida Provisória (MP) 832/18, que estabelece um preço mínimo para os fretes de carga no país. Dessa forma, a MP pode ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Terra deixou o Ministério do Desenvolvimento Social em abril, para concorrer à reeleição na Câmara – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministério do Turismo

O deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL) será o ministro do Turismo. Ele está no segundo mandato e foi o deputado mais votado de Minas Gerais nas últimas eleições, com mais de 230 mil votos. Ele integra a frente parlamentar evangélica no Congresso.

 

O futuro ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro, deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, fala à imprensa, no CCBB.
O futuro ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro, deputado federal Marcelo Álvaro Antônio – Valter Campanato/Agência Brasil

Ministério de Minas e Energia

O almirante-de-esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior assumirá o Ministério de Minas e Energia. Ele é atualmente diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha.

 

2015-12-08 Ministro da Defesa Aldo Rebelo participa da transmissão de cargode Comandante-em-Chefe da Esquadra ao Vice-Alte. Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior - Foto: Felipe Barra
Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior será o ministro de Minas e Energia – Ministério da Defesa/Divulgação

Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

A advogada Damares Alves assumirá o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Assessora do senador Magno Malta (PR-ES), Damares comandará a pasta que será criada no governo de Jair Bolsonaro, a partir de janeiro. O novo ministério também vai agregar a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, fala à imprensa no CCBB. Ela também ficará responsável pela Funai.
Futura ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Ela também ficará responsável pela Funai – Valter Campanato/Agência Brasil

Ministério do Meio Ambiente

Advogado e administrador, Ricardo de Aquino Salles foi secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014 e secretário de Meio Ambiente de São Paulo dee 2016 a 2017.

Ricardo Salles
Ricardo Salles – Secretaria de meio ambiente São Paulo/Divulgação
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Netanyahu chama Brasil de “grande potência” e fala em estreitar laços

Foto: Abir Sultan/Agência Lusa

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Pouco antes de embarcar para o Brasil, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu demonstrou entusiasmo com sua primeira visita à região. Ele classificou o país como “grande potência”, lembrando que reúne a quinta maior população mundial, e disse que a partir da gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, haverá “nova era entre Israel e a grande potência chamada Brasil”.

A mensagem foi postada em sua conta no Twitter. “É uma grande mudança com Bolsonaro. Estou contente por podermos começar uma nova era entre Israel e a grande potência chamada Brasil.”

Netanyahu manifestou sua expectativa diante da primeira visita ao Brasil. “Vamos discutir os laços de Israel com o maior país da América Latina, o quinto mais populoso do mundo. O Brasil é um país enorme, com enorme potencial para o Estado de Israel, economicamente, diplomaticamente e vis-à-vis segurança”.

Na manhã de hoje, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou vídeo em que o embaixador Yossi Shelley fala sobre a visita. “É a primeira vez que um primeiro-ministro de Israel chega ao Brasil e vai encontrar o presidente Jair Bolsonaro para continuar nossas parcerias em agricultura, água e segurança pública”, disse.

Atividades

O primeiro-ministro desembarca de manhã no Rio de Janeiro e fica no país até terça-feira (1º), quando participa da cerimônia de posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira, eles almoçam no Forte de Copacabana. Também estarão presentes os futuros ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fernando Azevedo (Defesa).

Bolsonaro pretende transferir a Embaixada do Brasil de TelAviv para Jerusalém. Os Estados Unidos foram o primeiro país a adotar a mudança. A medida não é consensual, pois Jerusalém é um território disputado por questões políticas e religiosas entre judeus e muçulmanos.

A visita ocorre em meio a dificuldades na política interna israelense. Netanyahu enfrenta um processo judicial por denúncias de desvios. Há também ausência de consenso em torno de um projeto que fixa novas regras para o serviço militar, que levou o Parlamento de Israel a antecipar em sete meses as eleições parlamentares que ocorrerão em 9 de abril.

Agenda

No final da tarde, Netanyahu irá à sinagoga Beit Yaakov para a cerimônia religiosa do shabat. Nos dias em que ficará no Brasil, a agenda do primeiro-ministro será intensa. Ele terá conversas com jornalistas, líderes da comunidade judaica e Amigos Cristãos de Israel.

Durante a visita, o primeiro-ministro israelense aproveita para manter reuniões bilaterais com líderes estrangeiros. Ele se reúne com o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. O último compromisso no Brasil será com o presidente do Chile, Sebastian Piñera.

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Morre, aos 93 anos, Mãe Stella de Oxóssi

Da Redação | Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

Morreu na tarde desta quinta-feira, 27, Maria Stella de Azevedo Santos, de 93 anos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, em Salvador. Ela estava internada desde o último dia 14, no Hospital Incar, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, por causa de uma infecção.

Por meio de nota na redes sociais, a prefeitura de Nazaré das Farinhas, também no Recôncavo, informou na noite desta quinta que o corpo de Mãe Stella já se econtra no Salão Nobre da Câmara de Vereadores, onde está sendo velado. O sepultado está previsto para esta sexta, às 16h, no Cemitério Nosso Senhor dos Aflitos, daquela cidade.

Mãe Stella havia dado entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém, no dia seguinte, foi transferida para o quarto. Segundo o último boletim de saúde, a ialorixá possuía um quadro estável. A última vez que a sacerdotisa tinha sido internada foi em novembro de 2017, quando passou seis dias no Hospital da Bahia, em Salvador. À época, apresentava fortes dores de cabeça e hipertensão arterial.

No dia 18 deste mês, surgiram boatos que de que a ialorixá havia morrido. A mesma informação foi desmentida pelo presidente da Sociedade Cruz Santa do Afonjá e administrador do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, Ribamar Daniel.

“As diversas atividades que minha vida religiosa pede e, é claro, a minha avançada idade estão fazendo com que se torne difícil continuar escrevendo quinzenalmente para este conceituado jornal, que acolheu meus pensamentos e minha cultura religiosa com muito desprendimento. Não estou me despedindo do jornal A TARDE que, compreendendo minhas razões, deixou o espaço aberto para que eu escrevesse algum artigo quando assim pudesse e desejasse (…), continuarei escrevendo, mas no ritmo possível para meus 89 anos de idade”.

Maria Stella de Azevedo Santos

Memória

Nascida em 2 de maio de 1925, em Salvador, a ialorixá foi articulista do Jornal A TARDE em 2011 e escreveu quinzenalmente na página de Opinião até o fim de 2014, quando anunciou, em artigo, que deixaria de publicar de forma fixa, permanecendo no entanto como colaboradora eventual.

Sacerdotisa desde 1976 do Ilê Axé Opó Afonjá, um dos candomblés mais tradicionais do Brasil, de nação nagô-ketu, Mãe Stella também foi atuante no blog Mundo Afro, do Portal A TARDE. Graduada em Farmácia pela Escola Bahiana de Medicina, em 2009, ela recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Em 2013, a Ialorixá foi eleita imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB). Ele ocupou a cadeira 33 (Poltrona Castro Alves), que era do professor e historiador Ubiratan Castro, falecido em janeiro do mesmo ano. Foi a primeira vez que uma mãe de santo ocupou uma cadeira da entidade máxima da literatura baiana.

Nova vida

Mãe Stella,  que vivia com a companheira Graziela Dhomini, mudou-se de Salvador em março de 2017 para Nazaré das Farinhas após sofrer um AVC, quando perdeu quase toda a visão, e se locomovia com a ajuda de uma cadeira de rodas.

A piora em seu estado de saúde abriu uma guerra silenciosa em torno da sua sucessão. Atualmente, pelo menos cinco grupos movimentam-se para suceder Mãe Stella, que não preparou nenhum nome natural ao posto.

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João de Deus presta depoimento no Ministério Público de Goiás

O médium João de Deus chega à Casa Dom Inpacio Loyola, em Abadiânia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

O médium goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus, prestou depoimento hoje (26) aos promotores da força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que investiga as acusações de crimes sexuais. As acusações foram apresentadas por mulheres que afirmam que, ao buscar tratamento espiritual na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), sofreram abusos sexuais.

João de Deus está detido em caráter preventivo no Núcleo de Custódio do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, nos arredores da capital goiana, desde o último dia 16. Alegando inocência, ele já recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obter o direito de deixar a unidade prisional e cumprir prisão preventiva domiciliar, com o uso de tornozeleira. O recurso ao STF foi apresentado após o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negarem habeas corpus ao médium.

O médium deixou o complexo prisional cercado por forte esquema de segurança e chegou ao MP-GO por volta das 10 horas. Saiu cerca de duas horas depois e o teor de seu depoimento não foi divulgado.

Além do depoimento, os promotores que integram a força-tarefa do MP-GO ouviram mulheres que afirmam ser vítimas de João de Deus e também testemunhas. Até a última sexta-feira (21), a força-tarefa já contabilizava 596 contatos feitos por supostas vítimas por e-mail ou telefone. Destes, foram identificadas 255 possíveis vítimas, das quais 75 já haviam sido ouvidas formalmente até a mesma data. Segundo o MP-GO, 23 das 255 possíveis vítimas tinham entre 9 e 14 anos por ocasião dos fatos.

Entre as supostas vítimas identificadas, 39 são de Brasília e as outras de Goiás (21), do Rio Grande do Sul (20), Espírito Santos (11), Minas Gerais (15), Rio de Janeiro (7), Paraná (6), Santa Catarina (4), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (1), Maranhão (1), Pernambuco (1), Piauí (1) e Tocantins (1). Entre as mensagens recebidas pelo MP estadual há também mulheres que vivem no exterior: nos Estados Unidos (4), Austrália (3), Alemanha (1), Bélgica (1), Bolívia (1) e Itália (1).

A esposa do médium João de Deus, Ana Keyla Teixeira, de 40 anos, deve prestar depoimento hoje à Polícia Civil. A oitiva deve ocorrer a partir de 13h. Inicialmente, ela prestaria depoimento na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), mas, segundo a assessoria da Polícia Civil de Goiás, “por questões de logística”, o depoimento foi alterado, e Ana Keyla será ouvida pela delegada Patrícia Meotti, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Goiânia.

Além disso, a assessoria da Polícia Civil informou que João de Deus só deve voltar a prestar depoimento na Polícia Civil depois de novas diligências, incluindo oitivas de testemunhas.

*Colaborou Karine Melo, repórter da Agência Brasil

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Ensaio: “Esqueçam os mortos porque eles não voltam mais” por Juliano Ferreira

Por Juliano Ferreira

O Cemitério de qualquer cidade ou povoado é um ótimo local para se analisar sociologicamente a classe social da família ao qual pertencia o defunto. Se o túmulo é de mármore ou granito observa-se logo que há uma condição financeira maior, água, velas e flores também são sinal de que os mortos descansam em paz.É também um lugar que revela surpresas, desde criança sempre gostei de desenhar cemitérios e agora como fotojornalista, trago esta série de imagens dos cemitérios de Fazenda Nova, povoado de Irecê, na Chapada Diamantina Setentrional e do cemitério da Vila de Campo Formoso e Barro Branco, de Presidente Dutra onde estão enterrados parte de meus ancestrais, ao meu bisavô Manoel Ferreira Mendes e minha tia Dalva (Ambos in memorian), dedico este ensaio.

Beber a água do cemitério e presentear os mortos com uma caneta é um signo de agradecimento por todo conhecimento legado por eles a mim.

Para finalizar, não tem como não me reportar ao documentário “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, do brasileiro Marcelo Massagão, uma breve história do século XX e que me impactou muito na disciplina de Mídia e Cultura em 2009 ministrada pela professora Macelle Khouri. O título do Ensaio é uma homenagem ao meu amigo Fábio Nunes, Pedagogo e Ouvidor do município de Irecê, natural de Juazeiro-BA e com quem aprendo tanto sempre com sua erudição impecável: “Esqueçam os mortos porque eles não voltam mais!”.

Com vocês, o Ensaio:

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Agenda Cultural: Neide Vital e o DJ Raduki se apresentam no Caatingueiros Bar na balada mais colorida do ano

Da Redação

A cantora Neide Vital e o DJ Raduki se apresentam no Caatingueiros Bar, dia 29 de dezembro às 22h para celebrar o Bye Bye 2018, a balada mais colorida do ano.

Ingresso antecipado: R$ 20,00
Casadinha: R$ 30,00
Vendas: Mídia Explosão, próximo ao Supermercado Prakasa.

Mais informações: https://www.facebook.com/caatingueirosbar

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Acervo Pedro Firme do Carmo (In Memorian) resgata parte da Historiografia da Política da Bahia, de Presidente Dutra, de Irecê e seu Território em textos e imagens preliminares

Texto e imagens: Juliano Ferreira/IrecePress

Revelamos hoje (23) com exclusividade parte do Acervo Pedro Firme do Carmo, que traz documentos de parte da história da política de Presidente Dutra, de Irecê, de Itaguaçu da Bahia, de Xique-Xique, de Uibaí, da Vila de Campo Formoso e de Araçatuba, dentre outras localidades. Pedro Firme do Carmo (in Memorian) foi casado com minha avó, Edna Silva do Carmo que me deu uma aula de política e memória oral, no inventário dos documentos, a ela dedico estas primeiras imagens fotodigitalizadas.

Evoco, Araçatuba, povoado de Presidente Dutra, cidade do interior baiano, capital da Pinha e que vivi parte da infância. Era lá que meus avós maternos moravam. Pedro Firme do Carmo e Edna Silva do Carmo.

A imagem de meu avô sentado embaixo da árvore em seu tamborete é tão cristalina que consigo enxergá-lo e ouvi-lo reclamando por conta da TV alta em períodos de jogo da copa do mundo. E o seu jeito de reclamar era sui generis. Era com um pigarreado na garganta que ecoava do quarto, quando o mesmo estava deitado.

Certa oportunidade, fomos, eu e minhas primas, ajudá-lo a plantar mamona em sua roça, para que as sementes terminassem logo, jogávamos várias delas em cada cova. Ao nascer foi trágico. Vários pés de mamona uns por cima dos outros.

As recordações vão se passando em minha memória e elas vão se tornando indeléveis a medida que vou trazendo-as. Nada mais existe. Com sua morte, tudo fora vendido. Antes de partir e ainda lúcido, no hospital municipal de Irecê, me deu os últimos R$10,00. Já não havia jeito. Sua morte foi tão tranquila e serena, deitado, em sua casa, em Araçatuba.

Era um homem reto e íntegro, todas as tardes pegava seus óculos e seu livro de reflexões religiosas e ia rezar no fundo do quintal. Não havia ninguém que atravessasse a estrada de um lado e de outro, que não falasse com ele, vindo pessoalmente ou a distância.

Meu avô me ensinou, sem nunca ter lido Neruda, porque as árvores escondem o esplendor de suas raízes. Elas, as raízes não precisam ser vistas, mas toda a árvore sabe, que sem raízes, não é ninguém.

Minhas raízes estão vivas dentro de mim. E é por isso que dedico estas fotografias do espectro político de meu avô, minha avó e minha mãe, mesmo sendo petista, é uma homenagem que realizo a eles, por toda a formação que me proporcionaram. Susan Sontag nos ensinou o poder da fotografia, a fotografia como documento histórico, a fotografia com a capacidade de desvelar realidades não vistas.

Galeria de imagens

Permitida a reprodução, desde que citada a fonte:

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75% de todas as pessoas que vivem com HIV conhecem seu estado sorológico, diz novo relatório do UNAIDS

Por UNAIDS Brasil

O novo relatório do UNAIDS mostra que os esforços intensificados em testagem e tratamento do HIV estão alcançando mais pessoas que vivem com o vírus. Em 2017, três quartos das pessoas que vivem com o HIV (75%) conheciam seu estado sorológico, comparado a apenas dois terços (67%) em 2015. Em 2017, 21,7 milhões de pessoas vivendo com HIV (59%) tiveram acesso à terapia antirretroviral, sendo que em 2015 esse número era de 17,2 milhões.  No entanto, o relatório mostra que 9,4 milhões de pessoas vivendo com HIV não sabem que vivem com o vírus e precisam urgentemente estar vinculadas aos serviços de testagem e tratamento do HIV.

O relatório Conhecimento é Poder (veja em inglês aqui) revela que, embora o número de pessoas que vivem com HIV com carga viral suprimida tenha subido cerca de 10 pontos percentuais nos últimos três anos, chegando a 47% em 2017, 19,4 milhões de pessoas vivendo com HIV ainda não alcançaram a supressão da carga viral. Para se manter saudável e prevenir a transmissão, o vírus precisa ser suprimido para níveis indetectáveis ​​ou muito baixos por meio de terapia antirretroviral continuada. E para monitorar a carga viral de forma eficaz, as pessoas que vivem com HIV precisam ter acesso ao teste de carga viral a cada 12 meses.

“O teste de carga viral é o ‘padrão ouro’ Do monitoramento do tratamento do HIV”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “O teste mostra que o tratamento está funcionando, mantendo as pessoas vivas e bem e mantendo o vírus firmemente sob controle.”

O relatório descreve que o acesso ao teste de carga viral é variado. Em algumas partes do mundo, fazer um teste de carga viral é fácil e totalmente integrado ao tratamento do HIV, mas em outros lugares existe apenas uma máquina de carga viral para todo o país.

“O monitoramento da carga viral precisa estar disponível tanto em Lilongwe, quanto em Londres”, disse Sidibé. “Testes de HIV e de carga viral devem ser iguais e acessíveis a todas as pessoas vivendo com HIV, sem exceção.”

Na Costa do Marfim, o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR) está apoiando um plano nacional para o aumento dos testes de carga viral. Em apenas três anos, o número de pessoas em tratamento duplicou e 10 laboratórios adicionais iniciaram testes de carga viral. Em seguida, a cobertura de testes de carga viral aumentou de 14% em 2015 para 66% em 2017 e está projetada para chegar a 75% até o final de 2018.

“O tema do UNAIDS para o Dia Mundial contra a AIDS deste ano reitera o fato de que o teste de HIV continua sendo a única maneira de conhecer seu estado sorológico e adotar um plano de vida saudável”, disse Eugène Aka Aouele, Ministro da Saúde e Higiene Pública da Costa do Marfim.

Teste de HIV e de carga viral em crianças

O teste de carga viral é particularmente importante para recém-nascidos, pois o HIV avança muito mais rápido em crianças—o pico de mortalidade para crianças que nascem com HIV é de 2 a 3 meses de vida. O teste de diagnóstico rápido padrão é ineficaz até os 18 meses de idade. O único teste de HIV válido para uma criança pequena é o teste virológico, que precisa ser feito dentro das primeiras quatro a seis semanas de vida. No entanto, em 2017, apenas metade (52%) das crianças expostas ao HIV em países com altas taxas de infecção pelo vírus recebeu um teste nos primeiros dois meses de vida.

Estão sendo feitos avanços importantes. Novas tecnologias de testagem em postos de atendimento, que acontecem em um ambiente mais próximo das pessoas, mostraram que o tempo necessário para receber os resultados dos testes das crianças diminuiu de meses para minutos, o que está salvando vidas.

 As barreiras persistentes para que as pessoas conheçam seu estado sorológico

O relatório mostra que estigma e discriminação são as maiores barreiras ao teste do HIV. Estudos entre mulheres, homens, jovens e populações-chave revelaram que o medo de ser visto em serviços de HIV e de que esta informação seja compartilhada com familiares, amigos, parceiros sexuais ou comunidade em geral, estava impedindo o acesso aos serviços de HIV, incluindo o teste.

Para as populações-chave—profissionais do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis, pessoas trans, pessoas privadas de liberdade, gays e outros homens que fazem sexo com homens—essas barreiras podem afetar o acesso de forma ainda mais intensa. O estigma e a discriminação, na sociedade e nos serviços de saúde, podem impedir que membros de populações-chave tenham acesso a cuidados de saúde, enquanto leis punitivas podem aumentar a discriminação e as taxas de violência, criando barreiras adicionais, incluindo medo de prisão e assédio.

“Na Costa do Marfim, a prevalência do HIV entre profissionais do sexo é de 11%, entre homens que fazem sexo com homens é de 13% e de e 9,2% para pessoas que usam drogas injetáveis”, disse Pélagie Kouamé, presidente da Rede de Populações-Chave da Costa do Marfim. “Não podemos deixar as populações-chave para trás. As coisas devem mudar e evoluir para que possamos sair das sombras e viver sem medo.”

Outras barreiras incluem a violência ou a ameaça de violência, especialmente entre mulheres jovens e meninas. As leis e políticas de consentimento parental também são barreiras, uma vez que em alguns países jovens com menos de 18 anos precisam do consentimento dos pais para fazer o teste de HIV. Além disso, os serviços são frequentemente muito distantes e difíceis de acessar ou muito caros. Também pode haver atrasos ou falhas nos resultados do teste de HIV e atrasos no início do tratamento. Em alguns países, as pessoas não procuram fazer o teste do HIV, pois acham que não estão em risco—no Maláui, um estudo descobriu que entre adolescentes e mulheres jovens (com idades entre 15 e 24 anos) em maior risco de infecção por HIV, mais da metade (52%) não se considerava em risco de contrair o vírus e, por isso, é improvável que procurassem serviços de testagem.

Novas opções de testagem

O relatório Conhecimento é Poder destaca como o fornecimento de uma variedade de opções de testes e serviços, como testes baseados na comunidade e testes domiciliares, pode ajudar a mitigar muitas das barreiras logísticas, estruturais e sociais para a testagem do HIV. As novas opções são oferecidas para pessoas que moram longe dos serviços de saúde, não têm restrições de horários inconvenientes, o que é particularmente importante para homens e populações-chave, e não vem com o estigma e a discriminação geralmente percebidos em serviços de saúde tradicional e de HIV.

“Não podemos esperar que as pessoas adoeçam”, disse Harouna Koné, Presidente da Plataforma de Redes na Luta Contra a AIDS. “Temos que ir às nossas comunidades e oferecer serviços de testagem e tratamento do HIV.”

O relatório destaca a importância de adotar uma abordagem composta por cinco pilares essenciais: consentimento, confidencialidade, aconselhamento, testes com resultados corretos e conexão/vinculação com prevenção, cuidado e tratamento. “Não existe uma abordagem única para todos os testes de HIV”, disse Sidibé. “Há várias estratégias diferentes necessárias para alcançar as pessoas em risco de infecção pelo vírus, incluindo abordagens inovadoras, como o autoteste, em que as pessoas podem se sentir mais à vontade para que sua privacidade seja respeitada.”

Outro passo importante é integrar serviços de testagem para HIV dentro de outros serviços de saúde, incluindo serviços de saúde materno-infantil, serviços de tuberculose e serviços para infecções sexualmente transmissíveis e hepatites virais. A tuberculose é a principal causa de morte de pessoas que vivem com HIV, sendo responsável por uma em cada três mortes relacionadas à AIDS; no entanto, estima-se que 49% das pessoas que vivem com HIV e tuberculose desconhecem sua coinfecção e, portanto, não estão recebendo os cuidados.

O acesso ao teste do HIV é um direito humano básico, e o UNAIDS está pedindo um compromisso global para remover as barreiras que impedem as pessoas de fazer o teste, o que inclui a eliminar o estigma e discriminação relacionados ao HIV, assegurar confidencialidade nos serviços de testagem e tratamento do HIV, implantar uma combinação ideal de estratégias de testagem para alcançar as populações mais necessitadas, integrar os serviços de HIV com outros serviços de saúde, remover barreiras políticas e legais que dificultam o acesso ao teste e tratamento do HIV, expandir o acesso ao monitoramento de carga viral em países de baixa e média renda e garantir o acesso ao diagnóstico precoce para recém-nascidos.

O relatório demonstra que a implementação dessas medidas levará a um enorme progresso para assegurar que todas as pessoas vivendo com HIV e afetadas pelo vírus tenham acesso aos serviços capazes de salvar vidas.

Em 2017, estima-se que:

  • 36,9 milhões [31,1 milhões – 43,9 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV;
  • 21,7 milhões [19,1 milhões – 22,6 milhões] de pessoas com acesso à terapia antirretroviral;
  • 1,8 milhão [1,4 milhão – 2,4 milhões] de novas infecções por HIV;
  • 940.000 [670.000 – 1,3 milhão] de mortes por doenças relacionadas à AIDS.
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UNAIDS e Gestos iniciam série de treinamentos sobre ‘Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV’

Por UNAIDS

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), realizou dias 27 e 28 de novembro, em Recife (PE), o primeiro treinamento sobre o Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV.   A capacitação de pessoas vivendo com HIV, feita em parceria com a ONG Gestos Soropositividade, Comunicação e Gênero, faz parte de uma série de sete treinamentos que serão realizados dentro do Plano Conjunto sobre HIV e AIDS das Nações Unidas 2018-2019. 

Além da capital Pernambucana, também receberão sessões de treinamento, entre dezembro de 2018 e março de 2019, as cidades de Salvador, Manaus, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Cerca de 60 voluntários serão trainados para a aplicação dos questionários entre pares, prevista para abril de 2019. 

Os treinamentos sobre o Índice de Estigma são voltados para a capacitação de pessoas que vivem com HIV a fim de que elas possam aplicar os questionários entre pares para levantar informações relevantes sobre estigma e discriminação no Brasil em relação a essa população específica, hoje estimada em quase 900 mil pessoas. O Índice permite não apenas entender o impacto do estigma sobre essas pessoas, mas também oferece subídis importantes para a construção de políticas públicas voltadas para a resposta ao HIV e à AIDS. 

O objetivo do projeto é conseguir que mais de 2 mil pessoas vivendo com HIV respondam aos questionários para que o Brasil possa ter, pela primeira vez, o seu próprio Índice de Estigma. Esta metodologia global já foi aplicada em mais de 100 países e contou com a participação de mais de 100 mil pessoas desde sua criação em 2008.  

“Estamos muito animados com a implementação deste levantamento, pois precisamos destes dados para enfrentar a falta de espaço que ainda existe em nossa sociedade para falar deste tema”, disse Alessandra Nilo, Diretora da Gestos. “Acredito que vamos abrir um diálogo muito importante com diversos atores da sociedade.”  

Serão entrevistadas pessoas vivendo com HIV maiores de 18 anos, que morem na região metropolitana de uma das sete cidades onde foram realizados os treinamentos. Todas as informações são sigilosas. A análise dos dados coletados será feita em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e a previsão de publicação é no segundo semestre de 2019.  

Para a Diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, o Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV mostra, a partir de um processo metodológico sério, que o preconceito e a discriminação existem na vida real. “Nós precisamos de dados que afirmem a necessidade de políticas públicas para as populações-chave. Mas para além do resultado, eu acredito que o processo todo já empodera às pessoas vivendo com HIV”, destacou.  

Conheça mais sobre o Índice de Estigma em Relação às Passoas Vivendo com HIV em http://www.stigmaindex.org/.  

A Gestos, parceira no projeto de treinamento para implementação do Índice no Brasil, ocupa atualmente uma das vagas reservadas para organizações da sociedade civil, incluindo aquelas de pessoas vivendo com HIV, na Junta de Coordenação do UNAIDS, conhecido pela sigla em inglês PCB (Programme Coordinating Board).  

A Junta conta com representantes de cinco ONGs—três de países em desenvolvimento e duas de países desenvolvidos ou com economias em transição—, que podem servir por até três anos como observadoras (sem direito a voto). As cinco organizações têm um representante cada e recebem apoio de outras cinco ONGs, que podem atuar como representantes alternados.  

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Indetectável = Intransmissível

Por Agência de Notícias da AIDS

Quem tem HIV, faz tratamento antirretroviral e tem carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmite o vírus sexualmente. A afirmação se baseia em diversos estudos com resultados sólidos e conclusivos – HPTN 052 e Partner, de 2016, e Opposites Attract, de 2017 –, os quais têm levado à atualização da mensagem sobre transmissibilidade por parte de autoridades como o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e a Sociedade Internacional de Aids (IAS) , da Suíça.

No Brasil, o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, também reconheceu, por meio de nota, em 2017, que indetectável é igual a intransmissível.

Com os tratamentos atuais a base de antirretrovirais, cada vez mais pessoas com HIV estão conseguindo reduzir a carga viral no sangue para níveis indetectáveis por testes laboratoriais.

De acordo com o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), o assunto já é consenso entre cientistas. “Esse conhecimento pode ser empoderador. A consciência de que eles não estão mais transmitindo o HIV sexualmente pode proporcionar um forte senso de que passam a ser agentes de prevenção em sua abordagem para os relacionamentos novos ou já existentes.”

“Pessoas vivendo com HIV em tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável em seu sangue têm um risco negligenciável de transmissão sexual do HIV. Dependendo das drogas empregadas, pode levar até seis meses para que a carga viral fique indetectável. Supressão viral do HIV contínua e confiável requer a seleção de medicamentos apropriados e excelente adesão ao tratamento. A supressão viral do HIV deve ser monitorada para assegurar tanto os benefícios de saúde pessoal quanto de saúde pública”, diz a Declaração Internacional de Consenso Indetectável igual Intransmissível.

A Declaração também é endossada por 550 organizações de 70 países em todo o mundo. Do Brasil, quatro organizações assinaram a Declaração de Consenso: o GIV (Grupo de Incentivo à Vida), o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo, vHIVo.com e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids.

Especialistas recomendam ainda que a pessoa com carga viral indetectável faça exames periodicamente. E embora ela não transmita o vírus, pode contrair outras infecções sexualmente transmissíveis, o que deve ser levado em conta quando se vai optar por usar preservativo ou não.

Leia mais sobre o assunto em:
CDC 
The Lancet
Washington Post
Community Partners
GIV
Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids

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