Irecê-BA: Policlínica Regional começa a funcionar nesta segunda-feira (11) e vai atender 22 municípios

Foto: Ascom/Gov.BA

Resultado de um investimento de R$ 25 milhões, a Policlínica Regional em Irecê começa a funcionar na próxima segunda-feira (11), oferecendo exames de alta complexidade e atendimento em diversas especialidades para 22 municípios da região. A unidade foi entregue pelo governador Rui Costa (PT) nesta sexta (8), às 16, com a participação dos representantes das prefeituras que integram o consórcio de saúde responsável pela gestão da policlínica.

Além de Irecê, a unidade vai atender a população dos municípios de América Dourada, Barra do Mendes, Barro Alto, Cafarnaum, Canarana, Central, Gentil do Ouro, Ibipeba, Ibititá, Itaguaçu da Bahia, João Dourado, Jussara, Lapão, Morro do chapéu, Mulungu do Morro, Presidente Dutra, São Gabriel, Souto Soares, Tapiramutá, Uibaí e Xique-Xique.

O transporte dos pacientes dos municípios consorciados até a policlínica será realizado gratuitamente, por meio de 13 micro-ônibus adquiridos pelo Governo do Estado. Até agora, já foram inauguradas as policlínicas regionais do Extremo Sul (Teixeira de Freitas) e do Alto Sertão (Guanambi), além do Hospital Regional da Chapada (Seabra). No próximo dia 15, será entregue o Hospital da Costa do Cacau, e em 22 de dezembro, a Policlínica Regional em Jequié. As informações são da Secom/BA

Barro Alto-BA: Intercâmbio quilombola reafirma cultura e identidade negra no Território de Irecê

Fotos: Uilson Viana e Comunidade Quilombola de Volta Grande-BA/IrecePress

Por Uilson Viana/Jornalista

Especial para IrecePress

Mulheres, jovens, homens e crianças da Comunidade Quilombola de Volta Grande no município de Barro Alto-BA vivenciaram um domingo diferente. É que no dia 15 de outubro a comunidade visitou o quilombo de Lagoa dos Batatas de Ibititá-BA em uma programação repleta de informação, formação, religiosidade ecumênica e apresentações da cultura afrodescendente.

No roteiro de visitações os participantes conheceram uma área de produção em transição agroecológica, onde o agricultor Leandro Macário faz usos da babosa e da fibra de sisal para controlar o ataque de pragas. A casa de farinha industrial, espaço marcante da culinária negra, gerida pela Associação Quilombola dos Batatas, também foi visitada.

A religiosidade de matriz africana também fez parte do ciclo de visitas, com uma parada no Terreiro de Umbanda, onde aconteceu uma verdadeira aula sobre as religiões de matriz africana, respeito e tolerância religiosa. O Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), que contemplou mais de vinte famílias quilombolas, pôde ser conhecido pelos presentes, por meio de visita em uma das casas em construção.

Com o objetivo de conhecer experiências que visam o fortalecimento  da autonomia financeira, a auto-estima feminina e potencializar o acesso das mulheres às políticas públicas de empoderamento, preservação dos direitos e garantia nos espaços de poderes locais. Foi visitada a cozinha comunitária, onde um grupo de jovens processa produtos de panificação e de subprodutos da mandioca.

Nesta mesma perspectiva de geração de renda, os quilombolas de Volta Grande tiveram uma aula de como aproveitar a fibra da banana e a palha de milho para a confecção de peças artesanais, como porta-guardanapo, brinquedos, flores, porta–jóias, dentre outras artes. As quais são produzidas pela família da ativista negra Valdicléia Silva, a qual orientou todas as visitas.

O almoço coletivo encerrou a parte da manhã e motivou a energia da tarde que deu início com um momento de avaliação do intercâmbio. Para a agricultora  Maria Lúcia Sodré, este foi um momento de grande aprendizado e espera poder acolher a comunidade dos Batatas em Volta Grande. “Este é um dia que vai ficar marcado na nossa história”, enfatizou Maria Lúcia. Os agradecimentos e o encerramento foram  selados com um momento celebrativo ecumênico, com a presença de membros da Igreja Batista, da Igreja Católica e do Terreiro de Umbanda Iansã.

As três lideranças  religiosas, cultuaram sua fé em forma de agradecimento envolvendo todos os presentes . As apresentações culturais, marcadas pelo canto, a dança, a religiosidade e o samba de mulheres, homens e crianças do terreiro de Umbanda embalaram o momento de confraternização, que deu continuidade com o desfile das jovens e  crianças  quilombolas de Volta Grande e a dança afro dos Batatas.

O momento cultural foi o ápice do encontro, onde a dança, o desfile, o batuque, o samba cativou o envolvimento e a mistura de negras e negros das duas comunidades, em um só ritmo, onde platéia e palco deixaram de existir, dando lugar ao intercâmbio e a confraternização de uma só raça e de um só povo, valorizando as  suas diferenças. O evento reuniu em torno de 60 pessoas entre visitantes e moradores.

O intercâmbio faz parte de um projeto da Associação dos Remanescentes de Quilombolas de Volta Grande de Barro Alto  (AUNIAFRO), apoiado pelo Centro Ecumênico de Serviço (CESE), com vistas a atender o edital, que tem como objetivo ampliar a relevância, o reconhecimento e o impacto da atuação das organizações da sociedade civil no Brasil, projeto este requerido junto à União Européia pela  Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG).

O projeto da AUNIAFRO  foi um dos três projetos aprovados no estado da Bahia, dentro deste edital e tem como foco o trabalho de fortalecimento de um grupo de mulheres quilombolas beneficiadoras da cozinha comunitária e a gestão do movimento associativista quilombola no Território de Irecê.

Neste sentido está previsto para acontecer ainda este mês, um seminário que reunirá mais de 20 associações quilombolas e comunitárias para discutir o Novo Marco Regulatório das Organizações (MROSC) e a organização em torno das lutas e ações realizadas em quilombos dos territórios de Irecê e Chapada Diamantina.

Com Edição de Juliano Carmo/IrecePress