Acervo Pedro Firme do Carmo (In Memorian) resgata parte da Historiografia da Política da Bahia, de Presidente Dutra, de Irecê e seu Território em textos e imagens preliminares

Texto e imagens: Juliano Ferreira/IrecePress

Revelamos hoje (23) com exclusividade parte do Acervo Pedro Firme do Carmo, que traz documentos de parte da história da política de Presidente Dutra, de Irecê, de Itaguaçu da Bahia, de Xique-Xique, de Uibaí, da Vila de Campo Formoso e de Araçatuba, dentre outras localidades. Pedro Firme do Carmo (in Memorian) foi casado com minha avó, Edna Silva do Carmo que me deu uma aula de política e memória oral, no inventário dos documentos, a ela dedico estas primeiras imagens fotodigitalizadas.

Evoco, Araçatuba, povoado de Presidente Dutra, cidade do interior baiano, capital da Pinha e que vivi parte da infância. Era lá que meus avós maternos moravam. Pedro Firme do Carmo e Edna Silva do Carmo.

A imagem de meu avô sentado embaixo da árvore em seu tamborete é tão cristalina que consigo enxergá-lo e ouvi-lo reclamando por conta da TV alta em períodos de jogo da copa do mundo. E o seu jeito de reclamar era sui generis. Era com um pigarreado na garganta que ecoava do quarto, quando o mesmo estava deitado.

Certa oportunidade, fomos, eu e minhas primas, ajudá-lo a plantar mamona em sua roça, para que as sementes terminassem logo, jogávamos várias delas em cada cova. Ao nascer foi trágico. Vários pés de mamona uns por cima dos outros.

As recordações vão se passando em minha memória e elas vão se tornando indeléveis a medida que vou trazendo-as. Nada mais existe. Com sua morte, tudo fora vendido. Antes de partir e ainda lúcido, no hospital municipal de Irecê, me deu os últimos R$10,00. Já não havia jeito. Sua morte foi tão tranquila e serena, deitado, em sua casa, em Araçatuba.

Era um homem reto e íntegro, todas as tardes pegava seus óculos e seu livro de reflexões religiosas e ia rezar no fundo do quintal. Não havia ninguém que atravessasse a estrada de um lado e de outro, que não falasse com ele, vindo pessoalmente ou a distância.

Meu avô me ensinou, sem nunca ter lido Neruda, porque as árvores escondem o esplendor de suas raízes. Elas, as raízes não precisam ser vistas, mas toda a árvore sabe, que sem raízes, não é ninguém.

Minhas raízes estão vivas dentro de mim. E é por isso que dedico estas fotografias do espectro político de meu avô, minha avó e minha mãe, mesmo sendo petista, é uma homenagem que realizo a eles, por toda a formação que me proporcionaram. Susan Sontag nos ensinou o poder da fotografia, a fotografia como documento histórico, a fotografia com a capacidade de desvelar realidades não vistas.

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